No azul do céu de metileno
A lua irônica
diurética
é uma gravura de sala de jantar.
Anjos da guarda em expedição noturna
velam sonos púberes
espantandos mosquitos
de cortinados e grinaldas.
Pela escada em espirasl
diz-que tem virgens tresmalhadas,
incorporadas à via láctea,
vaga-lumeando...
Por uma frincha
o diabo espreita com o ôlho torto.
Diabo tem uma luneta
que varre léguas de sete léguas
e tem ouvido fino
que nem violino.
São Pedro dorme
e o relógio do céu ronca mecânico.
Diabo espreita por uma frincha.
Lá embaixo
suspiram bocas machucadas.
Suspiram rezas? Suspiram manso.
de amor.
E os corpos enrolados
ficam mais enrolados ainda
e a carne penetra na carne.
Que a vontade de Deus se cumpra!
Tirante Laura e talvez Beatriz,
o resto vai para o inferno.
Carlos Drummond de Andrade
“Sei que é doloroso um palhaço
se afastar do palco por alguém
volta que a platéia te reclama
sei que choras palhaço
por alguem que não te ama
enxuga os olhos teus
me dá um abraço
não te esqueças que és um palhaço
faça a platéia gargalhar
um palhaço não deve chorar”
-Macarrão cabelo de anjo
-muuuuuita cebola, alho, azeite
-abóbora ralada cozida no vapor do macarrão
-queijo minas frescal
-parmezão grosseiramente ralado
-1 polenguinho
-tirinhas de presunto
-mostarda dijon
-mostarda escura
-açafrão
-maionese light
-água de coco (para dar uma suavizada e desgrudar tudo)
-sal e bastante pimenta do reino
*Sorte de Hoje: Receitas pitorescas podem acontecer eventualmente em sábados nublados qndo não tá pintando nada, vc está com fome e não bate muito bem da cabeça.
obs: Já estou começando a passar mal, preciso terminar esse post por aqui
“Debrucei-me à janela o parapeito tinha uma consistência de sono. “Tenho dito que essas begônias danificam tudo.” Meu corpo se dobrou: um maço de folhas olhos coisas por falar engasgadas a pele serena os cabelos no braço de meu pai o relógio dourado. A terra. Há duas semanas exatamente havia uma galinha ciscando perto daquela pimenteira. Alface tomate feijão de corda. É preciso voltar à naureza. Água no tanque água no corpo água solta na pia. A gramde viagem mar doce mar copo de flores porcos ao sol ortografia. Mar doce mar. Há certas lembranças que não nos oferecem nada, corpo na areia sol lagoa fria. Bichinhos delicados, o focinho da moça roçando a grama a treva do dia o calor. Hálito escuro o avesso das navalhas do fogo a grande ruína do crepúsculo. É preciso engraxar os sapatos. É preciso cortar os cabelos. É preciso telefonar oh é preciso telefonar. Cominho e farinha seca. Boca de fumo argolas africanas assaí bandeira lanterna. Vinte poucos anos ao lado do mar à direita à esquerda oh flâmula de sal guerreiros solo vivo. Automóvel e leite. Os domingos cruéis primeiro apeadouro segundo apeadouro aquele que acredita em mim mesmo depois de morto morrerá. Tardes tardas a lente o estojo de ebonite sumaúma pião-roxo tuberculose. A boa e o luto dia sem limite. Cravo de defunto. Estearina. Moscas no nariz a língua coagulada na saliva de vidro e açúcar…”
Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse física dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.
Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso de esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.
Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais o nome tem
Subamos!
Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!
Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.
Como no espasmo.
E quando
Lá, encima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus
Num último impulso
Libertados de espírito
Despojados de carne
Nós nos possuiremos.
E morreremos
Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.
Valére Novarina – Vocês que habitam o tempo – Tradução Angela Leite Lopes
…
“Se aqueles que passam na nossa frente voltassem para trás, nós passaríamos imediatamente na frente deles para ver se nada caiu.
As Crianças Parietais: Interroguemos nossos corpos e preguntemos a eles enquanto eles pensam se eles são realmente aqueles que nos carregam pra viver.
As Crianças Parietais – Interroguemos nossos corpos e perguntemos a eles se dizem que são. Se não responderem a nossas perguntas com nenhuma palavra, olhemos dentro para ver se cá estamos.
As Crianças Parietais – Nós examinamos o presente humano. Nós somos nós os homens, nós olhamos nos corpos uns dos outros para ver se ali estamos. estamos aqui como doutores que examinam por palavra o momento onde nós estamos. Nós nos vemos uns aos outros pelos buracos das pedrinhas
[...]
As Crianças Parientais – Examino o presente humano para ver se ele é mesmo. Cada dia, durante uma hora, tomando meu tempo entre os dentes, eu examino todos os segmentos dele. Por que a palavra fala em nós?