Saudek e Drummond Quarta-feira, Nov 18 2009 

Casamento do Céu e do Inferno

No azul do céu de metileno
A lua irônica
diurética
é uma gravura de sala de jantar.

Anjos da guarda em expedição noturna
velam sonos púberes 
espantandos mosquitos
de cortinados e grinaldas.

Pela escada em espirasl
diz-que tem virgens tresmalhadas, 
incorporadas à via láctea,
vaga-lumeando...

Por uma frincha
o diabo espreita com o ôlho torto.

Diabo tem uma luneta
que varre léguas de sete léguas
e tem ouvido fino
que nem violino.

São Pedro dorme
e o relógio do céu ronca mecânico.

Diabo espreita por uma frincha.

Lá embaixo
suspiram bocas machucadas.
Suspiram rezas? Suspiram manso.
de amor.

E os corpos enrolados
ficam mais enrolados ainda
e a carne penetra na carne.

Que a vontade de Deus se cumpra!
Tirante Laura e talvez Beatriz,
o resto vai para o inferno.

Carlos Drummond de Andrade 



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Slava’s Snowshow Terça-feira, Nov 10 2009 

“Sei que é doloroso um palhaço
se afastar do palco por alguém
volta que a platéia te reclama
sei que choras palhaço
por alguem que não te ama
enxuga os olhos teus
me dá um abraço
não te esqueças que és um palhaço
faça a platéia gargalhar
um palhaço não deve chorar”

Nelson Cavaquinhoslavas-snow-show

 

Receitas da tia Babu Sábado, Set 5 2009 

Hoje inventei uma receita no almoço:

-Macarrão cabelo de anjo
-muuuuuita cebola, alho, azeite
-abóbora ralada cozida no vapor do macarrão
-queijo minas frescal
-parmezão grosseiramente ralado
-1 polenguinho
-tirinhas de presunto
-mostarda dijon
-mostarda escura
-açafrão
-maionese light
-água de coco (para dar uma suavizada e desgrudar tudo)
-sal e bastante pimenta do reino

*Sorte de Hoje: Receitas pitorescas podem acontecer eventualmente em sábados nublados qndo não tá pintando nada, vc está com fome e não bate muito bem da cabeça.

obs: Já estou começando a passar mal, preciso terminar esse post por aquiDSC01425

Wood I – Dave Mckean Quinta-feira, Ago 27 2009 

wood I - Dave Mckean

Réquiem para Gullar Quarta-feira, Ago 5 2009 

“Debrucei-me à janela o parapeito tinha uma consistência de sono. “Tenho dito que essas begônias danificam tudo.” Meu corpo se dobrou: um maço de folhas olhos coisas por falar engasgadas a pele serena os cabelos no braço de meu pai o relógio dourado. A terra. Há duas semanas exatamente havia uma galinha ciscando perto daquela pimenteira. Alface tomate feijão de corda. É preciso voltar à naureza. Água no tanque água no corpo água solta na pia. A gramde viagem mar doce mar copo de flores porcos ao sol ortografia. Mar doce mar. Há certas lembranças que não nos oferecem nada, corpo na areia sol lagoa fria. Bichinhos delicados, o focinho da moça roçando a grama a treva do dia o calor. Hálito escuro o avesso das navalhas do fogo a grande ruína do crepúsculo. É preciso engraxar os sapatos. É preciso cortar os cabelos. É preciso telefonar oh é preciso telefonar. Cominho e farinha seca. Boca de fumo argolas africanas assaí bandeira lanterna. Vinte poucos anos ao lado do mar à direita à esquerda oh flâmula de sal guerreiros solo vivo. Automóvel e leite. Os domingos cruéis primeiro apeadouro segundo apeadouro aquele que acredita em mim mesmo depois de morto morrerá.  Tardes tardas a lente o estojo de ebonite sumaúma pião-roxo tuberculose. A boa e o luto dia sem limite. Cravo de defunto. Estearina. Moscas no nariz a língua coagulada na saliva de vidro e açúcar…”

Ferreia Gullar – Dentro da Noite Veloz

A vida em Rococó pode ser bem divertida Quarta-feira, Jul 29 2009 

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Meu trabalho – meu xodó Terça-feira, Jul 28 2009 

DSC01365DSC01370DSC01300DSC01366DSC01214DSC01301François Boucher - The Breakfast - A Odalisca LoiraDSC01219DSC01368

Jan Saudek e Vinicius de Moraes Sábado, Maio 30 2009 

subamos

Os Acrobatas – Vinicius de Moraes

Subamos!

Subamos acima

Subamos além, subamos

Acima do além, subamos!

Com a posse física dos braços

Inelutavelmente galgaremos

O grande mar de estrelas

Através de milênios de luz.

 

Subamos!

Como dois atletas

O rosto petrificado

No pálido sorriso de esforço

Subamos acima

Com a posse física dos braços

E os músculos desmesurados

Na calma convulsa da ascensão.

 

Oh, acima

Mais longe que tudo

Além, mais longe que tudo

Além, mais longe que acima do além!

Como dois acrobatas

Subamos, lentíssimos

Lá onde o infinito

De tão infinito

Nem mais o nome tem

Subamos!

 

Tensos

Pela corda luminosa

Que pende invisível

E cujos nós são astros

Queimando nas mãos

Subamos à tona

Do grande mar de estrelas

Onde dorme a noite

Subamos!

 

Tu e eu, herméticos

As nádegas duras

A carótida nodosa

Na fibra do pescoço

Os pés agudos em ponta.

 

Como no espasmo.

 

E quando

Lá, encima

Além, mais longe que acima do além

Adiante do véu de Betelgeuse

Depois do país de Altair

Sobre o cérebro de Deus

 

Num último impulso

Libertados de espírito

Despojados de carne

Nós nos possuiremos.

 

E morreremos

Morreremos alto, imensamente

IMENSAMENTE ALTO.

Pão de Açúcar Segunda-feira, Maio 25 2009 

Pão de açúcar no sábado…Tirei lindas fotos..Vontade de “Noites Cariocas”DSC01278

Cena III Segunda-feira, Maio 18 2009 

Valére Novarina – Vocês que habitam o tempo – Tradução Angela Leite Lopesimg04

“Se aqueles que passam na nossa frente voltassem para trás, nós passaríamos imediatamente na frente deles para ver se nada caiu.

As Crianças Parietais: Interroguemos nossos corpos e preguntemos a eles enquanto eles pensam se eles são realmente aqueles que nos carregam pra viver.

As Crianças Parietais – Interroguemos nossos corpos e perguntemos a eles se dizem que são. Se não responderem a nossas perguntas com nenhuma palavra, olhemos dentro para ver se cá estamos.

As Crianças Parietais – Nós examinamos o presente humano. Nós somos nós os homens, nós olhamos nos corpos uns dos outros para ver se ali estamos. estamos aqui como doutores que examinam por palavra o momento onde nós estamos. Nós nos vemos uns aos outros pelos buracos das pedrinhas

[…]

As Crianças Parientais – Examino o presente humano para ver se ele é mesmo. Cada dia, durante uma hora, tomando meu tempo entre os dentes, eu examino todos os segmentos dele. Por que a palavra fala em nós?

[…]”

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